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Portugal visto por Lobo Antunes
Agora sol na rua a fim de me melhorar a disposição, me reconciliar com a vida. Passa uma senhora de saco de compras: não estamos assim tão mal, ainda compramos coisas, que injusto tanta queixa, tanto lamento. Isto é internacional, meu caro, internacional e nós, estúpidos, culpamos logo os governos. Quem nos dá este solzinho, quem é? E de graça. Eles a trabalharem para nós, a trabalharem, a trabalharem e a gente, mal agradecidos, protestamos. Deixam de ser ministros e a sua vida um horror, suportado em estóico silêncio. Veja-se, por exemplo, o senhor Mexia, o senhor Dias Loureiro, o senhor Jorge Coelho, coitados. Não há um único que não esteja na franja da miséria. Um único. Mais aqueles rapazes generosos, que, não sendo ministros, deram o litro pelo País e só por orgulho não estendem a mão à caridade. O senhor Rui Pedro Soares, os senhores Penedos pai e filho, que isto da bondade as vezes é hereditário, dúzias deles. Tenham o sentido da realidade, portugueses, sejam gratos, sejam honestos, reconheçam o que eles sofreram, o que sofrem. Uns sacrificados, uns Cristos, que pecado feio, a ingratidão. O senhor Vale e Azevedo, outro santo, bem o exprimiu em Londres. O senhor Carlos Cruz, outro santo, bem o explicou em livros. E nós, por pura maldade, teimamos em não entender. Claro que há povos ainda piores do que o nosso: os islandeses, por exemplo, que se atrevem a meter os beneméritos em tribunal. Pelo menos nesse ponto, vá lá, sobra-nos um resto de humanidade, de respeito. Um pozinho de consideração por almas eleitas, que Deus acolherá decerto, com especial ternura, na amplidão imensa do Seu seio. Já o estou a ver
- Senta-te aqui ao meu lado ó Loureiro
- Senta-te aqui ao meu lado ó Duarte Lima
- Senta-te aqui ao meu lado ó Azevedo que é o mínimo que se pode fazer por esses Padres Américos, pela nossa interminável lista de bem-aventurados, banqueiros, coitadinhos, gestores que o céu lhes dê saúde e boa sorte e demais penitentes de coração puro, espíritos de eleição, seguidores escrupulosos do Evangelho. E com a bandeirinha nacional na lapela, os patriotas, e com a arraia miúda no coração. E melhoram-nos obrigando-nos a sacrifícios purificadores, aproximando-nos dos banquetes de bem-aventuranças da Eternidade.
As empresas fecham, os desempregados aumentam, os impostos crescem, penhoram casas, automóveis, o ar que respiramos e a maltosa incapaz de enxergar a capacidade purificadora destas medidas. Reformas ridículas, ordenados mínimos irrisórios, subsídios de cacaracá? Talvez. Mas passaremos sem dificuldade o buraco da agulha enquanto os Loureiros todos abdicam, por amor ao próximo, de uma Eternidade feliz. A transcendência deste acto dá-me vontade de ajoelhar à sua frente. Dá-me vontade? Ajoelho à sua frente indigno de lhes desapertar as correias dos sapatos.
Vale e Azevedo para os Jerónimos, já!
Loureiro para o Panteão já!
Jorge Coelho para o Mosteiro de Alcobaça, já!
Sócrates para a Torre de Belém, já! A Torre de Belém não, que é tão feia. Para a Batalha.
Fora com o Soldado Desconhecido, o Gama, o Herculano, as criaturas de pacotilha com que os livros de História nos enganaram.
Que o Dia de Camões passe a chamar-se Dia de Armando Vara. Haja sentido das proporções, haja espírito de medida, haja respeito. Estátuas equestres para todos, veneração nacional. Esta mania tacanha de perseguir o senhor Oliveira e Costa: libertem-no. Esta pouca
vergonha contra os poucos que estão presos, os quase nenhuns que estão presos como provou o senhor Vale e Azevedo, como provou o senhor Carlos Cruz, hedionda perseguição pessoal com fins inconfessáveis. Admitam-no. E voltem a pôr o senhor Dias Loureiro no Conselho de Estado, de onde o obrigaram, por maldade e inveja, a sair. Quero o senhor Mexia no Terreiro do Paço, no lugar D. José que, aliás, era um pateta. Quero outro mártir qualquer, tanto faz, no lugar do Marquês de Pombal, esse tirano. Acabem com a pouca vergonha dos Sindicatos. Acabem com as manifestações, as greves, os protestos, por favor deixem de pecar. Como pedia o doutor João das Regras, olhai, olhai bem, mas vêde. E tereis mais fominha e, em consequência, mais Paraíso. Agradeçam este solzinho. Agradeçam a Linha Branca.
Agradeçam a sopa e a peçazita de fruta do jantar. Abaixo o Bem-Estar.
Vocês falam em crise mas as actrizes das telenovelas continuam a aumentar o peito: onde é que está a crise, então? Não gostam de olhar aquelas generosas abundâncias que uns violadores de sepulturas, com a alcunha de cirurgiões plásticos, vos oferecem ao olhinho guloso? Não comem carne mas podem comer lábios da grossura de bifes do lombo e transformar as caras das mulheres em tenebrosas máscaras de Carnaval.
Para isso já há dinheiro, não é? E vocês a queixarem-se sem vergonha, e vocês cartazes, cortejos, berros. Proíbam-se os lamentos injustos.
Não se vendem livros? Mentira. O senhor Rodrigo dos Santos vende e, enquanto vender, o nível da nossa cultura ultrapassa, sem dificuldade, a Academia Francesa. Que queremos? Temos peitos, lábios, literatura e os ministros e os ex-ministros a tomarem conta disto.
Sinceramente, sejamos justos, a que mais se pode aspirar? O resto são coisas insignificantes: desemprego, preços a dispararem, não haver com que pagar ao médico e à farmácia, ninharias. Como é que ainda sobram criaturas com a desfaçatez de protestarem? Da mesma forma que os processos importantes em tribunal a indignação há-de, fatalmente, de prescrever. E, magrinhos, magrinhos mas com peitos de litro e beijando-nos uns aos outros com os bifes das bocas seremos, como é nossa obrigação, felizes.
(crónica satírica de
António Lobo Antunes, in visão abril 2012)
Disto, ou se gosta ou não se gosta!
O meu problema é que já me vou sentindo belho para as máquinas (parecidas) a estas!!
São os XUTOS ...
Agora e sempre são os portugueses, Xutos e Pontapés ...
Bestial é o mesmo que - próprio de besta; brutal; estúpido; grosseiro; erróneo; REPUGNANTE.
Bestial é a palavra que brota nesta já enfraquecida mente ao constatar a iniciativa do Pingo Doce, os seus motivos, seu modo operantis e suas consequências.
Dia da operacão: (dizem de enorme sucesso - O sucesso, sempre presente!) 01 de Maio de 2012.
Não foi por acaso, claro!
Analisemos então:
O motivo: BESTIAL! Tá dito.
O modo operantis: BESTIAGEM! que é como quem diz - ajuntamento de bestas.
As suas consequências: BESTIALIDADE! que é como quem diz - qualidade de ser bestial; brutalidade; estupidez; tendência preversa, sobretudo em atrasados mentais para ... (não me apetece reproduzir o resto).
Resumindo; o que aconteceu ontem, dia 01 de Maio de 2012, foi a sujeição humilhante da bestialidade ignorante e acéfala à BESTIALIDADE malévola, gananciosa e retrógada!
Numa palavra: REPUGNANTE!
"Na hora da despedida, o treinador de futebol Guardiola deixou algumas palavras aos seus jogadores.
... fez ainda uma revelação curiosa, em relação a um dos seus pupilos:
Lembrei-me muito de Keita, que foi o meu barómetro, o meu termómetro moral e ético, durante este tempo.
A cada decisão que tomava olhava para ele e, em função de como ele me olhasse ou questionasse, sabia se tinha feito bem as coisas ou não.
Conheci poucas pessoas com a sua integridade, com a sua riqueza humana.»
Neste mundo do futebol, de altissima competição, onde tudo é puxado ao limite - os índices fisicos, a resistência fisica e psiquica, o exacerbar de sentimentos e a teatralização de gestos e acções, da sujeição aos interesses financeiros - eis a humildade de um homem de sucesso no gesto nobre de elogiar um seu semelhante.
Gostei!
Aleluia!
Para alguns é uma expressão de origem hebraica que significa; louvado seja Deus!
Para outros, muitos outros, suportados pelo dicionário de Lingua Portuguesa da Porto Editora, o seu significado é:
_ s. f. palavra de origem hebraica que significa: Louvai o Senhor, exclamação de regozijo ...
Toda a gente sabe que ter regozijo, i. e., regozijar, i.e., rejubilar... é o sentimento de uma enorme alegria, um júbilo intenso e verdadeiro que, porventura, explode quando exclamado ... ALELUIA!
ALELUIA!
Foi o que exclamei, hoje, quando vi o seguinte;
o seguinte ...
e o seguinte ...
... Depoi de, para tristeza nossa, de profissionais, de utentes, de doentes e de acompanhantes nos habituarmos a ver isto, ao longo dos ultimos dois anos e meio sem que nada, lógico ou racional, o justificasse:
ALELUIA!
O que está por detrás deste percurso de dois anos e meio de inconsequências, de incongruências e de ... (gestão de quintinhas várias, entendem?), agora ... não importa nada!
O que importa, AGORA, é dar os parabéns à Junta de Freguesia de S. Pedro que, ao fim de muito tempo, a destempo, mas por fim ... coloca as mãos na massa!
ALELUIA, ALELUIA, ALELUIA!
(tinha sido tão fácil ...)

Estes jovens são nossos ...
Voz feminina - Mariana Imaginário
Voz masculina - Nuno Oliveira
Guitarra/Baixo - Phelipe Ferreira
Guitarra - David Silva
Bateria - André Silva
Musica:
-Captação, Edição e Masterização - André Silva
Video:
-Captação - Alexandre Gamela
-Edição - André Silva
- Dizem eles:
"Este é um vídeo em homenagem ao nosso colega e amigo Manuel Sampaio.
Manuel faleceu aos 17 anos em Dezembro de 2011.
Espero que gostem tanto do vídeo como nós!
O primeiro solo que encontrarem no video é interpretado pelo próprio Manel."

Esta noite, pouco antes do jantar, assim vi a minha Figueira.
Vi-a deste meu lado através do rio.
Este meu rio que separa, que dilui e, a um mesmo tempo, une e concentra.
E tenho a certeza!
De todos os elementos aqui descritos só nós pereceremos.

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O QUE É O BCE?
- O BCE é o banco central dos Estados da UE que - O dinheiro do BCE, ou seja o capital social, é dinheiro de nós todos, cidadãos da UE, na proporção da riqueza de cada país. - O capital social era 5,8 mil milhões de euros, mas no fim do ano passado foi decidido fazer o 1º aumento de capital desde que há cerca de 12 anos o BCE foi criado, em três fases. No fim de 2010, no fim de 2011 e no fim de 2012 até elevar a 10,6 mil milhões o capital do banco. - Não, não pode. - Porquê? Porque... porque, bem... são as regras. - A outros bancos, a bancos alemães, bancos franceses ou portugueses.
- Pois. - Bom... sim... quer dizer... em certo sentido... mas assim os banqueiros não - Sim, os bancos precisam de ganhar alguma coisinha. - Não têm sequer de se deslocar a Bruxelas. A sede do BCE é na Alemanha, em Frankfurt. Neste exemplo, ganharam com o empréstimo a Portugal uns 3 ou 4 mil milhões de euros.
As pessoas têm de perceber que os bancos têm de ganhar bem, senão como é que podiam pagar os dividendos aos accionistas e aqueles ordenados aos administradores que são gente muito especializada.
- Mandam os governos dos países da zona euro. A Alemanha em primeiro lugar que é o país mais rico, a França, Portugal e os outros países. - Bom, não é bem assim. Como a Alemanha é rica e pode pagar bem as dívidas, os bancos levam só uns 3%. A nós ou à Grécia ou à Irlanda que estamos de corda na garganta e a quem é mais arriscado emprestar, é que levam juros a 6, a 7% ou mais.
- Nós, qual nós?! O país, Portugal ou a Alemanha, não é só composto por gente vulgar como nós. Não se queira comparar um borra-botas qualquer que ganha 400 ou 600 euros por mês ou um calaceiro que anda para aí desempregado, com um grande accionista que recebe 5 ou 10 milhões de dividendos por ano, ou com um administrador duma grande empresa ou de um banco que ganha, com os prémios a que tem direito, uns 50, 100, ou 200 mil euros por mês. Não se pode comparar.
- Os nossos Governos... Por um lado, são, na maior parte, amigos dos banqueiros ou estão à espera dos seus favores, de um empregozito razoável quando lhes faltarem os votos.
- Em certo sentido, sim, é claro, mas depois... quem tem a massa é quem manda. É o que se vê nesta actual crise mundial, a maior de há um século, para cá. Essa coisa a que chamam sistema financeiro transformou o mundo da finança num casino mundial, como os casinos nunca tinham visto nem suspeitavam, e levou os EUA e a Europa à beira da ruína. É claro, essas pessoas importantes levaram o dinheiro para casa e deixaram a gente como nós, que tinha metido o dinheiro nos bancos e nos fundos, a ver navios. Os governos, então, nos EUA e na Europa, para evitar a ruína dos bancos tiveram de repor o dinheiro. E ONDE O FORAM BUSCAR? - Onde havia de ser!? Aos impostos, aos ordenados, às pensões. De onde havia de vir o dinheiro do Estado?... MAS METERAM OS RESPONSÁVEIS NA CADEIA?
- Na cadeia? Que disparate! Então, se eles é que fizeram a coisa, engenharias financeiras sofisticadíssimas, só eles é que sabem aplicar o remédio, só eles é que podem arrumar a casa. É claro que alguns mais comprometidos, como Raymond McDaniel, que era o presidente da Moody's, uma dessas agências de rating que classificaram a credibilidade de Portugal para pagar a dívida como lixo e atiraram com o país ao tapete, foram... passados à reforma. Como McDaniel é uma pessoa importante, levou uma indemnização de 10 milhões de dólares a que tinha direito. Isso já não é comigo, eu só estou a explicar...
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Muxima, vozes e sons da Portugalidade recriando a música do Duo Ouro Negro.
... por detrás de tudo que importa
vem um sentido para a vida ...
... por detrás de tudo que importa
vem um sentido para a vida ...
- Jacques Fresco -
Um amigo enviou-me o endereço do Blog da Gorongosa.
Deliciem-se aqui e apreciem as belezas da vida selvagem.
A trapeira do Job
Isto que eu vou dizer vai parecer ridículo a muita gente.
Mas houve um tempo em que as pessoas se lembravam ainda, da época da infância, da primeira caneta de tinta permanente, da primeira bicicleta, da idade adulta, das vezes em que se comia fora, do primeiro frigorífico e do primeiro televisor, do primeiro rádio, de quando tinham ido ao estrangeiro.
Houve um tempo em que, nos lares, se aproveitava para a refeição seguinte o sobejante da refeição anterior, em que, com ovos mexidos e a carne ou peixe restante se fazia "roupa velha". Tempos em que as camisas iam a mudar o colarinho e os punhos do avesso, assim como os casacos, e se tingia a roupa usada, tempos em que se punham meias solas com protectores. Tempos em que ao mudar-se de sala se apagava a luz, tempos em que se guardava o "fatinho de ver a Deus e à sua Joana".
E não era só no Portugal da mesquinhez salazarista. Na Inglaterra dos Lordes na França dos Luíses, a regra era esta. Em 1945 passava-se fome na Europa, a guerra matara milhões e arrasara tudo quanto a selvajaria humana pode arrasar. Houve tempos em que se produzia o que se comia e se exportava. Em que o País tinha uma frota de marinha mercante, fábricas, vinhas, searas.
Veio depois o admirável mundo novo do crédito. Os novos pais tinham como filhos, uns pivetes tiranos, exigindo malcriadamente o último modelo de mil e um gadgets e seus consumíveis, porque os filhos dos outros também tinham. Pais que se enforcavam por carrões de brutal cilindrada para os encravarem no lodo do trânsito e mostrarem que tinham aquela extensão motorizada da sua potência genital. Passou a ser tempo de gente em que era questão de pedigree viver no condomínio fechado e sobretudo dizê-lo, em que luxuosas revistas instigavam em couché os feios a serem bonitos, à conta de spas e de marcas, assim se visse a etiqueta, em que a beautiful people era o símbolo de status como a língua nos cães para a sua raça.
Foram anos em que o campo se tornou num imenso ressort de turismo de habitação, as cidades uma festa permanente, entre o coktail party e a rave. Houve quem pensasse até que um dia os serviços seriam o único emprego futuro ou com futuro.
O país que produzia o que comíamos ficou para os labregos dos pais e primos parolos, de quem os citadinos se envergonhavam, salvo quando regressavam à cidade, vindos dos fins-de-semana com a mala do carro atulhada do que não lhes custara a cavar e, às vezes, nem obrigado. O país que produzia o que se podia transacionar esse ficou com o operariado da ferrugem, empacotados como gado em dormitórios e que os víamos chegar, mortos de sono logo à hora de acordarem, as casas verdadeiras bombas relógio de raiva contida, descarregada nos cônjuges, nos filhos, na idiotização que a TV tornou negócio.
Sob o oásis dos edifícios em vidro, miragem de cristal, vivia o mundo subterrâneo de quantos aguentaram isto enquanto puderam, a sub-gente. Os intelectuais burgueses teorizavam, ganzados de alucinação, que o conceito de classes sociais tinha desaparecido. A teoria geral dos sistemas supunha que o real era apenas uma noção, a teoria da informação substituía os cavalos-força da maquinaria industrial pelos megabytes de RAM da computação universal. Um dia os computadores tudo fariam, o ser humano tornava-se um acidente no barro de um oleiro velho e tresloucado, que caído do Céu, morrera pregado a dois paus, e que julgava chamar-se Deus, confundindo-se com o seu filho ungénito e mais uma trinitária pomba.
Às tantas os da cidade começaram a notar que não havia portugueses a servir à mesa, porque estávamos a importar brasileiros, que não havia portugueses nas obras, porque estávamos a importar negros e eslavos. A chegada das lojas dos trezentos já era alarme de que se estava a viver de pechisbeque, mas a folia continuava. A essas sucedeu a vaga das lojas chinesas, porque já só havia para comprar «balato». Mas o festim prosseguia e à sexta-feira as filas de trânsito em Lisboa eram o caos e até ao dia quinze os táxis não tinham mãos a medir. Fora disto, os ricos, os muito ricos, viram chegar os novos ricos. O ganhão alentejano viu sumir o velho latifundiário absentista, trocado pelo novo turista absentista com o mesmo monte mais a piscina e seus amigos, intelectuais claro, e sempre pela reforma agrária e vai um uísque de malte, sempre ao lado do povo e já leu o New Yorker?

A agiotagem financeira essa ululava. Viviam do tempo, exploravam o tempo, do tempo que só ao tal Deus pertencia mas, esse, Nietzsche encontrara-o morto em Auschwitz. Veio o crédito ao consumo, a conta-ordenado, veio tudo quanto pudesse ser o ter sem pagar. Porque nenhum banco quer que lhe devolvam o capital mutuado quer é esticar ao máximo o lucro que esse capital rende.
Aguilhoando pela publicidade enganosa os bois, que somos nós todos, os bancos instigavam à compra, ao leasing, ao renting ao seja como for desde que tenha e já, ao cartão, ao descoberto autorizado.
Tudo quanto era vedeta deu a cara, sendo actor, as pernas, sendo futebolista, ou o que vocês sabem, sendo o que vocês adivinham, para aconselhar-nos a ir àquele balcão bancário buscar dinheiro, vendermo-nos ao dinheiro, enforcarmo-nos na figueira infernal do dinheiro. Satanás ria. O Inferno começava na terra.
Claro que os da política do poder, que vivem no pau de sebo perpétuo do fazear arrear, puxando-os pelos fundilhos, quantos treparam para o mando, querem a canalha contente. E o circo do consumo, a palhaçada do crédito servia-os. Com isso comprávamos os plasmas mamutes onde eles vendiam à noite propaganda governamental, e nos intervalos, imbecilidades e telefofocadas que entre a oligofrenia e a debilidade mental a diferença é nula. E contentes, cretinamente contentinhos, os portugueses tinham como tema de conversa a telenovela da noite, o jogo de futebol do dia e da noite e os comentários políticos dos "analistas" que poupavam os nossos miolos de pensarem, pensando por nós.
Estamos nisto.
Este fim-de-semana a Grécia pode cair. Com ela a Europa.
Que interessa?
O Império Romano já caiu também e o mundo não acabou. Nessa altura em Bizâncio discutia-se o sexo dos anjos. Talvez porque Deus se tivesse distraído com a questão teológica, talvez porque o Diabo tenha ganho aos dados a alma do pobre Job na sua trapeira. O Job que somos grande parte de nós.

por José António Barreiros
... é por isto ...
por isto ...
e por isto ...
e também por isto ...
e ainda por muitos outros...
... que o fado é Património Imaterial da Humanidade!
Deu-me hoje o pensamento para me transportar a Novembro de ano de 1973.
Faltavam uns simples e rápidos dois mesitos e qualquer coisa para alinhar, miliciano e como carne para canhão, em defesa da pátria.
Digo-a em letra pequena porque, a de então, a entendia assim, pequena.
Naquele tempo a nossa jovialidade foi abalada pelo estrondo insano de uma mina, que ribombou em nossos peitos e nos derrotou.
Afinal não éramos imortais, morrera-nos um amigo.
Aquele, o mais jovial!
Esta melodia do Pedro Barroso levou-me àquele tempo e repôs a noção de que os muitos problemas do Portugal de hoje não são assim tão definitivos!
Recebi por email de uma amiga.
Parafraseando-a ... quem diria!
Tenho a impressão que este homem sabe do que fala.
Frank Schirrmacher
ver artigo completo em Democracia rebaixada a “lixo”
“...Torna-se cada vez mais evidente que a crise que a Europa atravessa não é um problema passageiro mas a expressão de uma luta pela supremacia entre o poder económico e o poder político. Este último já perdeu imenso terreno ...
Não seremos capazes de ver que, cada vez mais, submetemos os processos democráticos à apreciação das agências de notação, dos analistas e dos agrupamentos bancários?
A pretensa racionalidade dos mecanismos financeiros revelou velhos atavismos inconscientes. O discurso que consiste em tratar um povo inteiro como um bando de ladrões e preguiçosos parecia ter desaparecido, ao mesmo tempo que o nacionalismo. Hoje, assiste-se ao regresso dessa mentalidade, com o apoio de "provas razoáveis". A deterioração do parlamentarismo, em função das leis do mercado, não justifica apenas as decisões do povo enquanto "legislador extraordinário"; no caso da Grécia, obriga os cidadãos a manifestar a sua vontade. Na Alemanha, todos os deputados que seguem o que a sua consciência lhes dita podem ter a certeza de que, tão depressa, não voltaremos a ver a sua "cara". O que aconteceu a um deputado alemão enquanto indivíduo, diz igualmente respeito a um Estado e, não tardará muito, a toda a Europa...
Não é preciso conhecer todas as ligações de tal piada com o subconsciente para compreendermos que estamos prestes a assistir à destruição massiva dos princípios morais nascidos no pós-guerra, determinada por razões económicas e financeiras superiores. Esses processos desenvolvem-se sub-repticiamente, desenrolam-se nos limites da consciência, por vezes durante décadas, até desembocarem numa nova ideologia. Foi o que se passou durante as fases de incubação dos grandes fenómenos de autoritarismo do século XX....”
"Côro dos Escravos
Um momento intenso e de grande emoção para os apaixonados pela liberdade
No último dia 12 de março a Itália festejava os 150 anos de sua criação, ocasião em que a Ópera de Roma apresentou a ópera Nabuco de Verdi, símbolo da unificação do país, que invocava a escravidão dos Judeus na Babilônia, uma obra não só musical mas também, política à época em que a Itália estava sujeita ao império dos Habsburgos (1840).
Sylvio Berlusconi assistia, pessoalmente, à apresentação, que era dirigida pelo maestro Ricardo Mutti. Antes da apresentação o prefeito de Roma, Gianni Alemanno - ex-ministro do governo Berlusconi, discursou, protestando contra os cortes nas verbas da cultura, o que contribuiu para politizar o evento.
Como Mutti declararia ao TIME, houve, já de início, uma incomum ovação, clima que se transformou numa verdadeira "noite de revolução" quando sentiu uma atmosfera de tensão ao se iniciar os acordes do coral "Va pensiero" o famoso hino contra a dominação.
Há situações que não se pode descrever, mas apenas sentir; o silêncio absoluto do público, na expectativa do hino; clima que se transforma em fervor aos primeiros acordes do mesmo. A reação visceral do público quando o côro entoa - "Ó minha pátria, tão bela e perdida"
Ao terminar o hino os aplausos da plateia interrompem a ópera e o público se manifesta com gritos de "bis", "viva Itália", "viva Verdi".
Não sendo usual dar bis durante uma ópera, e embora Mutti já o tenha feito uma vez em 1986, no teatro La Scala de Milão, o maestro hesitou pois, como ele depois disse: "não cabia um simples bis; havia de ter um propósito particular".
Dado que o público já havia revelado seu sentimento patriótico fez com que o maestro se voltasse no púlpito e encarasse o público, e com ele o próprio Berlusconi.
Fazendo-se silêncio, pronunciou-se da seguinte forma, e reagindo a um grito de "longa vida à Itália" disse RICCARDO MUTTI:
"Sim, longa vida à Itália mas... . Já não tenho 30 anos e já vivi a minha vida, mas como um italiano que percorreu o mundo, tenho vergonha do que se passa no meu país.
Portanto aquiesço ao vosso pedido de bis para o Va Pensiero.
Isto não se deve apenas à alegria patriótica que senti em todos, mas porque nesta noite, enquanto eu dirigia o côro que cantava "Ó meu pais, belo e perdido", eu pensava que a continuarmos assim mataremos a cultura sobre a qual assenta a história da Itália.
Neste caso, nós, nossa pátria, será verdadeiramente "bela e perdida". [aplausos retumbantes, inclusive dos artistas da peça].
Reina aqui um "clima italiano"; eu, Mutti, me calei por longos anos.
Gostaria agora...nós deveriamos dar sentido a este canto; como estamos em nossa casa, o teatro da capital, e com um côro que cantou magnificamente e que é magnificamente acompanhado, se for de vosso agrado, proponho que todos se juntem a nós para cantarmos juntos."
Foi assim que Mutti convidou o público a cantar o Côro dos Escravos.Toda a ópera de Roma se levantou...
O coral também se levantou.
Vê-se, também, o pranto dos artistas.
Foi um momento magnífico na ópera!
Um momento intenso e de grande emoção para os apaixonados pela liberdade!"
Steve Jobs - Discurso Stanford completo
Nestes conturbados e difíceis tempos que temos de digerir da forma possivel, só mesmo Sérgio Godinho para lembrar que:
Só neste País .... Portugal é nosso para o bem e para o mal!
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